Uma pátria muito melhor
Porque Moisés não entrou na terra prometida? Será que ele não era digno de entrar? Parece até injusto não é mesmo! Nem sempre alcançamos o que Deus tem pra nós, mas sempre é, seguramente, o melhor.
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Deuteronômio 3:23-29
“Também eu pedi graça ao Senhor no mesmo tempo, dizendo:
Senhor DEUS! já começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua forte mão; pois, que Deus há nos céus e na terra, que possa fazer segundo as tuas obras, e segundo os teus grandes feitos?
Rogo-te que me deixes passar, para que veja esta boa terra que está além do Jordão; esta boa montanha, e o Líbano!
Porém o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes o Senhor me disse: Basta; não me fales mais deste assunto;
Sobe ao cume de Pisga, e levanta os teus olhos ao ocidente, e ao norte, e ao sul, e ao oriente, e vê com os teus olhos; porque não passarás este Jordão.
Manda, pois, a Josué, e anima-o, e fortalece-o; porque ele passará adiante deste povo, e o fará possuir a terra que verás.
Assim ficamos neste vale, defronte de Bete-Peor.”
Dentre várias coisas que são tremendamente interessantes e ao mesmo tempo curiosas na palavra de Deus, uma foi o fato de Moisés não entrar na terra prometida. Existe um conteúdo profético nesse fato além do próprio Moisés. Mas analisaremos com cuidado sua vida e suas limitações como homem. E veremos como Deus lhe foi fiel. Ao final, sim, mostraremos brevemente um conteúdo profético pra que ele não tivesse entrado. Se você sabe quem foi Moisés já entende o porquê dessa minha introdução. Mas antes de explicarmos o motivo, vamos às bases do entendimento.
Quem foi Moisés?
Moisés foi um homem hebreu (povo que deu origem aos Judeus) na época do apogeu do Egito. O povo hebreu estava se multiplicando demais e com medo de um possível levante contra o império quando o rei do Egito mandou que matassem todos os meninos hebreus que nasciam. Buscava assim impedir que o povo futuramente continuasse a se multiplicar. Deus, porém, provê livramento a eles mantendo-os com vida. Muda-se então o decreto do rei. Ele agora manda as parteiras jogarem os bebês meninos no rio. Um deles era Moisés.
Moisés foi encontrado pela filha de faraó, a qual se compadeceu dele e o levou para cria-lo. Moisés cresce no palácio do rei, sob seus cuidados e auxílios. Tem de tudo do melhor. Desde a educação e contato que teve com todo conhecimento e ciência da época até ao respeito e honra na casa de faraó. Moisés cresce. Um dia presencia uma luta de um egípcio com um hebreu. Defende o hebreu e mata o egípcio. Com medo de morrer pelo crime, foge para Midiã onde se estabelece e constitui família. Habita ali aproximadamente 40 anos quando Deus o chama para libertar o povo no Egito. Tem Moisés agora uns 80 anos.
Passadas as pragas e sinais de Deus sobre o Egito o povo sai e passa a peregrinar no deserto em busca da terra de Canaã que Deus os havia prometido dar. Passam-se mais 40 anos de peregrinação no deserto até entrarem em Canaã sob o comando de Josué. Nesses anos Deus usa a vida de Moisés para ensinar ao povo sua lei. Dá os 10 mandamentos e os estatutos. Estabelece o tabernáculo, o serviço sacerdotal e os sacerdotes. Ensina ao povo o que é uma nação que serve a Deus.
Moisés passa a ser então para o povo o guia e legislador. Ele era referência pra tudo. Para orientação sobre a lei, ordem, estatutos e para mediador das revelações do que Deus falava. Estava sobre ele o Espírito de Deus. Mas ele era homem como qualquer outro. Homem como eu e você.
O homem Moisés
Vamos agora começar a ver a real situação que Moisés vivia. Deus derramou do Seu Espírito Santo sobre Moisés e uma grande responsabilidade: conduzir um povo de dura cerviz, voltado a idolatrias do Egito e maus costumes a conhecerem ao Deus verdadeiro que deixaram de adorar.
Moisés tinha sobre si um peso de responsabilidade tremendo. O povo era de aproximadamente 600 mil homens maiores de 20 anos. Somando a isso, por baixo, uma esposa pra cada homem e um filho cada casal, seriam aproximadamente um milhão e oitocentas mil pessoas (desconsiderando que um homem podia ter mais de uma mulher, o que daria mais filhos, etc...). Imagine, agora, um homem a frente de todos. Um homem responsável por fazer aquele povo herdar a terra. Um homem instrumento de Deus pra corrigir os costumes pagãos do povo. Um homem como referência e guia de todos. Um homem.
Durante 40 anos o povo peregrinou no deserto até a chegada a Canaã. Durante 40 anos Moisés se deixou gastar por amor a um povo difícil e numeroso. Todo seu trabalho, todo seu propósito, todo seu coração, toda sua vida, todo seu tempo, todos seus recursos e toda sua preocupação estavam voltados a fazer o povo entrar na terra prometida. Pra isso não mediu esforços e verdadeiramente viveu como disse Paulo “Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas” 2 Co 12:15.
Eu imagino o dia a dia de Moisés. Antes do sol aparecer no céu já devia haver uma fila de pessoas à frente da tenda de Moisés querendo falar com ele. “Eu quero falar com Moisés, porque meu irmão pegou minha ovelha ontem e...”, “eu quero falar com Moisés porque meu cunhado agrediu minha irmã, o que a lei diz sobre isso?” “Eu quero falar com Moisés sobre isso, eu quero falar com Moisés porque daquilo...” Que loucura! De tanta gente, nem bem devia ter tempo pra tomar um café da manhã já estavam lá as pessoas querendo lhe falar. E assim vai até a hora do almoço. Depois, à tarde, mais gente querendo falar. Problemas que surgiram ele tinha que resolver. E assim vai a tarde. E assim vão os dias, as semanas os meses.
Mas por mais boa vontade que tivesse ele era homem e como homem não suportou tal responsabilidade e chegou a pedir a Deus a morte (ler Nm 11:14-17). É aí que Deus divide a responsabilidade a alguns anciãos do povo e dá em certa medida do possível, um alívio a Moisés.
Durante os 40 anos ele se deixou gastar pelo povo. Toda sua vida por eles. Agora, na hora de entrar na terra Deus não o permite entrar.
A verdadeira justiça
No texto que lemos Moisés pede ao Senhor graça e que lhe deixe entrar na terra e o Senhor o nega. Lhe dá ordem de que suba o monte e lá do alto veria a terra da promessa, mas para lá não passaria. Eu fico imaginando Moisés nessa hora triste, de certa forma até decepcionado por não entrar na terra e porque não, choroso até. Poderia pensar “por 40 anos da minha vida busquei esta terra, lutei por este povo, me doei, me dediquei, fiz de tudo e agora não vou herdar a promessa.” Seria bem natural se pensasse isso. Mas mesmo diante de toda essa situação a bíblia não relata possíveis reclamações ou inaceitação de sua parte, antes, ele se calou e não insistiu mais. Aceitou a vontade de Deus como servo obediente que era.
Se qualquer um te fizesse a pergunta ‘quem era mais digno de entrar na terra prometida?’ quem você diria? Moisés, claro! Será que era justo que Moisés entrasse na terra? O que você diria? Claro que era! Olha o que ele fez pelo povo! Pois é, mas Deus não vê assim.
Será então que Deus foi injusto? Não, Deus não foi injusto. A nossa visão de homens só nos permite ver o que está ao nosso alcance. No caso desse fato em questão, só conseguimos ver que era injusto Moisés não entrar na terra de Canaã depois de tanto sacrifício. De fato, foi com muito sacrifício, inclusive do próprio Moisés, que o povo entrou na terra. Mas por fim, Moisés não entrou em Canaã, porque Deus não tinha isso pra ele. Deus tinha muito mais! Algo extraordinariamente mais excelente! Deus tinha pra ele uma pátria muito melhor. Deus tinha pra ele naquele momento a eternidade!
Veja, Moisés não ficou no deserto sozinho vagando choramingando pelos cantos depois de o povo entrar em Canaã. A bíblia diz que ele subiu ao monte como Deus o ordenara que fizesse e de lá não desceu mais. Ali mesmo Deus o tomou. Morreu pra esta vida e herdou a Terra que almejamos todos os dias também herdar. Uma pátria onde ele não sofreria mais, onde ele não se cansaria mais, onde ele estaria com o salvador!
Então, Deus foi injusto? Não! Deus manifestou na vida do seu servo Moisés uma justiça que está além do nosso alcance. Deus achou Moisés tão digno de entrar na eternidade aquela hora que tomou e lhe deu a vida na morte.
Deus tem sempre o melhor
Ainda que nos pareça estranho muitas vezes o caminho que Deus nos faz percorrer saiba que ele é maravilhoso. Podemos não compreendê-lo, mas é o melhor que existe. Não existe pátria melhor que a eternidade pra herdar e Deus deu isso a Moisés. Se ele tivesse entrado na terra claro que se alegraria muito! Choraria de alegria em ver a promessa se cumprindo. Mas lembre-se, Moisés já tinha 120 anos. Eles enfrentariam ali batalhas pra conquistar a terra, e tão logo se estabelecessem os homens cairiam na idolatria se misturando com mulheres dos povos e pervertendo tudo o que aprenderam no deserto sob tantos sinais e maravilhas. Deus o poupou de ver e passar por todo esse sofrimento que lhe seria. Morreria, então, triste e não mais feliz e em paz.
Deus sabe o que faz! Deixe ele fazer em sua vida sua obra! Certamente é sempre o melhor! A verdadeira justiça só existe da parte de Deus. E ele foi justo com Moisés e ele é justo conosco. Se o buscarmos, ele está pronto a nos ouvir e nos ajudar nos fazendo vitoriosos e herdeiros de maravilhosas promessas. Lembre-se nossa justiça e visão são limitados. Deus vê muito além.
Um conteúdo profético
O fato que impediu Moisés de entrar na terra foi quando ele deveria ter falado à rocha para que brotasse água, mas ele a feriu. A rocha da qual brotaria água para salvação do homem apontava para Jesus e ao feri-la, Moisés foi impedido de entrar na terra. Hoje também nós, se não aceitamos a Jesus como nosso Senhor e Salvador, mas o "ferirmos" considerando seu sacrifício sem valor algum nós também não entraremos na eternidade. É ele quem nos dá salvação.
Além disso, Moisés representava a lei do antigo testamento. Mas quando Jesus vem ao mundo e vence o pecado pelo seu sangue, é seu sangue quem nos justifica de todo pecado e não mais a lei. Hoje, pela graça somos salvos e isso não vem de nós é dom de Deus dado em Jesus. A lei não nos justifica para herdar a terra, apenas o sangue de Jesus. Amém!
Graça e paz de Deus a todos os irmãos! Amém!
Estudo enviado por Pablo S. Nascimento