Os dois ladrões na cruz
Nada está na bíblia por acaso. Em tudo Deus tem um ensino pra nós. Por que dois ladrões foram crucificados ao lado de Jesus? Por que não um só e por que os dois foram julgados e condenados em pé de igualdade pelo mesmo crime? Vamos descobrir isso e mais um pouco nesse estudo.
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Lucas 23: 39-43
“E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.
Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?
E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.
E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”
Gostaria de passar aos irmãos alguns pontos onde veremos as maravilhosas e soberanas graça e misericórdia de Deus agindo em nossa vida. Pra isso, analisaremos alguns momentos dessa passagem.
Primeiro ponto: porque dois ladrões?
É interessante e importante saber que não havia distinção entre os malfeitores crucificados ao lado de Jesus. Ambos eram ladrões e salteadores. Ambos haviam de fato cometido tais crimes. Ambos julgados e condenados pelo mesmo pecado. Mas lendo somente o evangelho de Lucas pode parecer que um era bonzinho. Cometeu os crimes, mas pediu perdão e foi perdoado. O outro parece ser mal e não se arrependeu nem na última hora e só blasfemou de Jesus até a morte. Vejamos essa passagem nos outros evangelhos com mais atenção.
Mateus 27:41-44
“E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam:
Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele.
Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.
E o mesmo LHE LANÇARAM também em rosto OS SALTEADORES que com ele estavam crucificados.” (grifo acrescentado)
Marcos 15:32
“O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Também OS que com ele foram CRUCIFICADOS o INJURIAVAM.”
Note que os dois ladrões blasfemavam dele, não apenas um. Aqui há um ensino. Não havia um melhor que o outro. O que foi salvo não era “mais bonzinho” que o que não foi salvo. Um não era mais inocente que o outro. Um não era digno da salvação pelas suas boas obras mais que o outro. Ambos blasfemaram de Jesus desde o início da crucificação. Ambos lhe lançaram em rosto as ofensas dos sacerdotes, escribas fariseus e anciãos. Eram iguais. Eram culpados.
No entanto um foi salvo e o outro não. Sim. Mas por quê? Porque um reconheceu seus pecados e pediu perdão. Só isso. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (I Jo 1:9). Isso é importante para nós entendermos. O fato de hoje você e eu estarmos na presença de Deus de maneira nenhuma nos faz melhores do que qualquer pessoa. Eu e você somos tão culpados dos nossos pecados quanto qualquer um que ainda não se rendeu a Deus. No entanto, no dia em que ele nos alcançou pela sua graça, não endurecemos nossos corações e pedimos a Ele o perdão arrependidos. Com sua graça nos perdoou. Pelo seu infinito e incondicional amor nos perdoou. Não porque você e eu éramos mais bonzinhos ou inocentes que os outros.
Por isso eram dois ladrões na mesma condição. Pra nos ensinar que todos nós pecamos e destituídos fomos da glória de Deus. Jamais julgue-se a si mesmo melhor ou mais digno do que seu vizinho ou do que seu colega de trabalho ou faculdade apenas por estar na igreja. Foi Deus quem te salvou sem você merecer. Quando vamos a Deus em oração vamos com ousadia, como diz Paulo, porque não somos dignos, mas o sangue de Jesus nos dá acesso à presença de Deus. O sangue nos dá acesso. Não minhas obras. Não minha bondade. Não minha caridade. O sangue. Lembre-se disso sempre meu irmão, seja humilde perante o Senhor. Você e eu não merecíamos essa salvação mais que os outros. Glorifique porque Ele te alcançou.
Passemos agora para o segundo ponto.
As dores da crucificação
Um salvo e outro condenado. E agora? Mudou alguma coisa? Será que o Senhor concedeu que o salvo descesse da cruz e vivesse? Será que ele não sentia mais as dores da crucificação? Na verdade, não.
Tudo continuava o mesmo para os dois ladrões. Os dois continuavam sentindo as dores dos pregos nas mãos, a dificuldade e agonia para respirar, a vergonha e a vexação pública daquele momento triste e opressor. O que foi salvo não desceu da cruz como mérito por ter alcançado perdão. Também não parou de sentir as dores nem nada disso. A condição era a mesma pros dois.
Hoje também não é porque estamos na presença de Deus com a salvação em nossa vida que não sentimos mais as “dores da crucificação”. Passamos lutas e aflições como qualquer pessoa no mundo. “No mundo tereis aflições”. A batalha no mercado de trabalho, as enfermidades, as desilusões desta vida, o cansaço do dia-a-dia, a dificuldade financeira, o desânimo pelas tribulações desta vida. Tudo enfrentamos como todo mundo. Às vezes alguns pensam (com frequência os novos convertidos) que ao entrar pra igreja não teremos mais aflições. Isso não é verdade. As lutas são as mesmas. Sei de casos de pastores nossos, homens de Deus, que viveram e vivem com muita dificuldade. Homens simples, humildes que não possuem grandes bens nem altos salários, ao contrário. Vivem de um salário mínimo sustentando a família de dois filhos e a esposa com outro salário mínimo. Mas ainda sim são servos de Deus. Pessoas com quem você conversa e vê que a mão de Deus é sobre elas.
Nossa salvação não nos tira os abalos desta vida. Em nenhum aspecto. Se quiser exemplos bíblicos a vida dos servos lá descritos como João Batista (comia gafanhoto e meu silvestre), Paulo (vivia de donativos dados pelas igrejas), Maria e José (pais de Jesus que nem lugar para se abrir tiveram em seu nascimento) são exemplos claros disto. Não preciso nem falar do próprio Jesus, certamente.
A diferença entre o que é salvo e o que não é
Então chegamos ao ponto. Qual era então a diferença entre o ladrão que foi salvo e o que não foi salvo? A diferença não era visível. A diferença era invisível. A diferença era que um deles tinha agora em seu coração a esperança de um descanso. De saber que quando aquele momento de dor e agonia terminassem ele teria uma eternidade com Deus. Ele sabia que aquilo ali ia findar e ele teria um descanso. Essa também é a diferença hoje.
Nossa esperança que nos conforta em meios às tribulações desta vida também é invisível. “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?” Rm 8:24. Mas nós esperamos, pela fé, o que não vemos, mas que com certeza temos algo da parte de Deus. Isto é, toda sorte de ministrações e operações de Sua eternidade em nosso benefício. E nós também temos um descanso e nosso descanso não é aqui. “Levantai-vos, e ide-vos, porque não será aqui o vosso descanso” Mq 2:10a. Nosso descanso será quando o Senhor voltar e nos levar pra eternidade. Essa é a diferença entre quem foi salvo e quem rejeitou tal salvação. Esperança de eternidade!
Quando estiver passando pelas tribulações lembre-se que seu descanso não é aqui. Lembre-se que mesmo sem merecer, sendo um pecador, Deus te perdoou e te deu esperança e nova vida. Lembre-se que isso Ele te deu não porque é melhor do que ninguém, mas porque ele te amou e você simplesmente aceitou seu presente de salvação que é Jesus Cristo nosso Senhor! E lembre-se que essas dores passam. As lutas passam. As enfermidades passam, mas a esperança permanece. Ele é fiel e justo pra cumprir com sua palavra. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. Tu e a tua casa.” Atos 16:31.
Graça de paz a todos os irmãos! Amém!
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